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segunda-feira, 12 de maio de 2014

Poeminha de Verão

BALAIO DA GATA:









 A gente não fez planos juntos,

não dividiu sonhos,

nem ideais.

Não compartilhou preferências,

não fez concessões,

e nem discutiu pormenores.

A gente não teve música preferida,

viagem inesquecível

e nem jantar especial.

Não teve sessão de cinema,

sofá em dia de chuva,

nem domingo de sol.

Não tivemos dia dos namorados,

primeiro brinde,

primeiro presente,

sequer primeira briga,

que dirá uma volta.

Mas quando você foi embora,

fiquei tão triste, tão triste,

que a coisa de que mais senti saudade,

foi exatamente de tudo isso que a gente não teve.

Dizem que dor de amor mal resolvido é assim:

"Todo dia passa um pouquinho...

...mas não passa nunca!"    (Clara Gurgel

(Postado originalmente em 20/02/2013/ site Interrogações)

Verso pelo Avesso

Viro o verso pelo avesso,

Não tenho medo do reverso.
O que não rima, 
Não desanima.
Você é meu exercício
de desprendimento.
Nada espero, nem idealizo.
Somos tão diferentes
que nos encontramos na outra ponta.
E o encontro instiga, atiça,
coça, roça,
assanha a sanha.
Sei que vou morrer não sei a hora
mas se vivo, viva o coração no pulso! 
Tomo gosto e ponho meu barco no mar.          
Hoje é dia do Círio de Nazaré.                             
Nazinha que me proteja
e vice-versa!
Faço o sinal da cruz,
Reverencio Yemanjá

e viro o verso pelo avesso...

( Postado originalmente em18/10/2012/ site Interrogações)

É Dia de Davi!

  Na primeira vez que te vi, há quatro anos, você era rosa. Você chorou e eu sorri. Maior do que eu esperava, ocupou um espaço enorme em mim. Não me importei. Gostei! Tomou todo o meu tempo, meus dias, minha insônia e também os meus seios. Virou tema recorrente nas minhas rodas de conversa e assunto para a minha falta de assunto. Mas não me policiei.
     Eu me permiti lamber, cheirar, beijar, babar, errar e acertar. Aprendi a compartilhar, doar e receber. Ouvi muitos conselhos. Uns até segui. Outros, dei de ombros. Simpatias? Até hoje sei um vasto repertório, mas fazia só a do pontinho vermelho. Aquela do soluço. E não é que parava?!
     Recorri mesmo foi ao instinto. Não ao materno, mas sim,  ao de sobrevivência. Precisava "sobreviver", e bem, por você e por mim ao evento que é ter um filho, ainda que fosse o segundo, tão essencial, querido e diferente do primeiro, o Pedro.
     Davi é a minha segunda janela. Mais uma chance que tive de espiar com singularidade e generosidade o mundo que, com certeza, ficou bem melhor depois que eles chegaram. São meus dois olhos por onde enxergo através do amor. Onde me reconheço mais humana, mais condescendente até comigo. Pode ser clichê mas não me importo, vou me permitir. Porque com eles é assim:  vivo me permitindo e tenho sido redundante e obviamente FELIZ! Não vou me policiar...não com eles!  Na primeira vez que te vi, há quatro anos, você era rosa. Você chorou e eu sorri. Maior do que eu esperava, ocupou um espaço enorme em mim. Não me importei. Gostei! Tomou todo o meu tempo, meus dias, minha insônia e também os meus seios. Virou tema recorrente nas minhas rodas de conversa e assunto para a minha falta de assunto. Mas não me policiei.
     Eu me permiti lamber, cheirar, beijar, babar, errar e acertar. Aprendi a compartilhar, doar e receber. Ouvi muitos conselhos. Uns até segui. Outros, dei de ombros. Simpatias? Até hoje sei um vasto repertório, mas fazia só a do pontinho vermelho. Aquela do soluço. E não é que parava?!
     Recorri mesmo foi ao instinto. Não ao materno, mas sim,  ao de sobrevivência. Precisava "sobreviver", e bem, por você e por mim ao evento que é ter um filho, ainda que fosse o segundo, tão essencial, querido e diferente do primeiro, o Pedro.
     Davi é a minha segunda janela. Mais uma chance que tive de espiar com singularidade e generosidade o mundo que, com certeza, ficou bem melhor depois que eles chegaram. São meus dois olhos por onde enxergo através do amor. Onde me reconheço mais humana, mais condescendente até comigo. Pode ser clichê mas não me importo, vou me permitir. Porque com eles é assim:  vivo me permitindo e tenho sido redundante e obviamente FELIZ! Não vou me policiar...não com eles!



( Postado originalmente em 14/03/2012/Gaveta Virtual/blog pessoal)